Olá colegas da Sociedade Goiana de Radiologia.

Para aqueles que não me conhecem, meu nome é Marcelo E. Montandon Junior e sou médico neurorradiologista titulado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, e Ex-presidente e membro da SGOR. Paralelamente à minha atuação na área médica, trabalho no mercado financeiro desde 2008 e tenho certificados de atuação na área pela APIMEC (CNPI-T) e da ANBIMA (CPA-10), além da atividade de escritor desde 2012, com oito livros publicados na Amazon.

No dia 5 dezembro de 2017, na última reunião científica da SGOR, eu tive o prazer de receber o convite por parte da Sra. Meili e do Presidente da SGOR, Dr. Pedro José Santana Jr, para escrever uma coluna mensal no site da SGOR, o que me deixou muito honrado. Abordarei um tema distinto da Medicina, porém muito relevante para a vida de todos os médicos: finanças pessoais e investimentos, assunto que me dedico a estudar por mais de 10 anos.

Escreverei alguns textos exclusivos para o site da SGOR e outros serão adaptados de textos já publicados no meu site e no boletim do CBR, onde tenho a oportunidade de redigir uma coluna mensal desde julho de 2013. Espero também contar com a ajuda de vocês no envio de dúvidas e sugestões de temas.

Seguem os meus comentários deste mês. Abraços a todos e um Feliz 2018!

Onde investir em 2018?

O ano de 2017 foi muito bom para o investidor que arriscou um pouco mais em sua carteira de investimento: alta significativa da bolsa brasileira e boa valorização dos títulos públicos prefixados e indexados ao IPCA. O que esperar para 2018? Será que teremos um bom ano novamente?

Apesar de acreditar fortemente que estamos apenas no início de um BULL MARKET (mercado muito altista) de longo prazo para a bolsa brasileira, o ano de 2018 será marcado pela alta volatilidade em virtude do processo eleitoral presidencial. Um candidato pró-mercado e a favor das reformas facilitará o caminho dos ativos de renda variável. Em contrapartida um candidato contra as reformas e que defenda o retorno da “nova matriz econômica”, proposta na Era Dilma, poderá enterrar a recuperação da economia brasileira.

Um fator que poderá dificultar a alta das ações brasileiras é uma possível correção no mercado americano. Ao contrário de nós, eles estão em alta há mais de oito anos e uma correção mais aguda poderá chegar a qualquer momento. É bom ficar de olho também na velocidade da subida dos juros americanos. Um aperto na política monetária por lá poderá reduzir a liquidez global e, por conseguinte, determinar a “fuga” dos investidores dos mercados emergentes. Outro aspecto que pode jogar água fria nas bolsas ao redor do mundo é um possível aumento das tensões geopolíticas na Coreia do Norte e no Oriente Médio.

Desta forma, para este ano temos que ter um pouco mais de cautela na seleção dos ativos. É importante se posicionar para pegar uma possível valorização da bolsa de valores, porém é preciso ter também ativos mais conservadores na carteira.

Curto Prazo:

Fundos DI. É a melhor opção para investimentos de curto prazo, garantindo a liquidez imediata do dinheiro e evitando movimentos bruscos. O ideal é uma taxa de administração menor que 0,5%. E não deixe de acompanhar o desempenho mensal. Alguns fundos por aí perdem de longe do CDI. Um bom fundo DI deve acompanhar a taxa do CDI, isto é, 100% de rendimento do CDI.

Tesouro Selic. Uma opção aos Fundos DI é a aplicação no Tesouro Selic, que tem retorno semelhante aos melhores fundos DI e um custo baixo: 0,3% ao ano de custódia, acrescido da taxa de administração da corretora. Sempre é bom salientar que algumas corretoras não cobram a taxa de administração, como a XP investimentos, o que reduz drasticamente os custos deste investimento.

Médio Prazo:

Fundos Imobiliários. Apesar da melhora na cotação dos fundos imobiliários em 2017, os preços continuam atrativos. Os proventos mensais são interessantes, até 0,7% ao mês, e isentos de IR para o pequeno investidor. Já há sinais claros de que em breve o mercado imobiliário comercial, especialmente o de lajes corporativas em SP, poderá voltar a se aquecer e as cotações podem ter bom desempenho.

Títulos prefixados. Sugiro “zerar” a posição em títulos prefixados comprados nos últimos dois anos. O Banco Central sinalizou que em breve terminará o ciclo de queda da Selic, atualmente em 7.0% ao ano. Este fato e o cenário político refletem num maior risco para aplicação nestes títulos, superando o potencial de valorização dos mesmos. Quem ganhou, ganhou. Agora, em minha opinião, não vale o risco.

Tesouro Inflação. Visando uma proteção de médio prazo sugiro a compra do Tesouro IPCA 2024 sem cupons semestrais (NTNB Série Principal). Os motivos? Primeiro porque você ainda pode aproveitar o fechamento da curva de juros (os prêmios para os juros mais longos ainda são atrativos) e, segundo, porque você ficará protegido da inflação. Terceiro, numa eventual vitória da esquerda, esses títulos serão os mais resilientes.

Longo Prazo:

Tesouro Inflação. Visando a aposentadoria, opte pelo Tesouro IPCA 2035 sem cupons semestrais (NTNB Série Principal), e tenha uma garantia de um retorno real acima do processo inflacionário. Mesmo com uma eventual elevação dos juros nos próximos anos, o ganho real acima da inflação é muito vantajoso.

Dólar e Ouro. O rumo para 2018 ainda é muito incerto, porém acredito que a cotação da moeda americana deverá ficar muito volátil em virtude da corrida presidencial.  Mantenha no mínimo 10% do seu patrimônio atrelado à moeda americana com a intenção de proteger parte do seu patrimônio (lembre-se da correlação inversa entre a bolsa e o câmbio). Outra opção para proteção de carteira é investir em ouro. Sugestão: 10% em dólar ou 7% em dólar e 3% em ouro.

Mercado de ações. O IBOV está cotado em 78 mil pontos no momento em que escrevo. O objetivo de longo prazo continua incalculável (150, 200 mil pontos?) se a economia voltar a crescer com a eleição de um governo pró-mercado. Há sinais claros de retomada da economia brasileira e uma previsão de crescimento de 3% do PIB para 2018, obviamente se a eleição não atrapalhar. A vitória da esquerda poderá derrubar a bolsa para menos de 50 mil pontos. Desta forma, o risco-benefício é muito bom. Mais uma vez, invista somente o dinheiro que você não precisará no curto prazo e lembre-se que o ativo BOVA11 é a melhor opção para aqueles que têm pouco tempo para se dedicar ao mercado financeiro.

Bons investimentos e até a próxima.

Mais informações e sugestões: www.investircadavezmelhor.com.br

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